Por Estes Dias
A população da vila de Loriga, viu tristemente desaparecer mais um dos seus emblemáticos fornos. Entristece-me e estou solidário com a maior parte do teor da carta aberta do Sr. Dr. Augusto Moura de Brito, publicada no seu muito interessante blog, particularmente no seguinte ‘link’: http://aloicaeoscacos.blogs.sapo.pt/6134.html
As linhas que se seguem não são para condenar ninguém, pois servem apenas para defender uma associação de loriguenses que faz o que pode para promover Loriga, a sua gente, os seus produtos e a sua beleza.
Vi e li os comentários tecidos no Facebook e correctamente transcritos para o blog “ A Loiça e os Cacos”. Declaro já e para que não haja alguém que veja algo, que sou parente do Dr. Moura de Brito e independentemente desse facto, nutro admiração e estima, desde sempre.
Mas, cumpre por saber e dever, esclarecer algumas das críticas tecidas à Confraria da Broa e do Bolo Negro de Loriga, atinentes ao forno colado à loja do Senhor Orestes.
Esclareço que não sou membro de assinalável relevo na citada Confraria, pago as minhas quotas como pago as quotas de outras associações de Loriga, sendo que neste momento estou em dívida com o Grupo Desportivo Loriguense, a Associação de Apoio à Terceira Idade e à Irmandade das Almas, mas que em breve e apenas por culpa minha e da minha organização pessoal, saldarei as minhas dívidas.
Em todas as associações de que faço parte, tenho apenas um papel de mero membro igualzinho à maioria dos associados. Gosto, no entanto, de participar, pois se sou membro tenho o dever de dar o melhor pelas associações a que pertenço…
No que toca à Confraria da Broa e do Bolo Negro de Loriga, encontro nela várias vantagens e desvantagens inerentes à sua própria natureza, como em tudo. Tem muito poucos associados, mas mesmo assim envolve-se em vários projectos, alguns de notoriedade a nível nacional, como por exemplo, participando na salvaguarda das receitas tradicionais de Loriga, com o original livro, “Loriga, Sabores de Sempre” (http://www.confrariadeloriga.org/?page_id=1110 ), criando rotas e passeios à volta de Loriga, criando concursos como um cartaz em parceria com o Agrupamento de Escolas de Loriga, organizando parcerias com outras associações, como por exemplo a Exposição fotográfica e os vários debates que ocorreram em parceria com a ANALOR, da qual também sou associado, e o Museu de Cerâmica de Sacavém ou o procurando salvaguardar o património de Loriga, como a generosa oferta do espólio fotográfico do Sr. José Cardoso de Pina, ou até com associações como a CAIS…
Por isso e pelo que eu vi fazer, importa dizer aquilo que sei e procurei saber e confirmar, antes de escrever…
A Confraria da Broa e do Bolo Negro de Loriga procurou saber quanto poderia custar e valer o imóvel do forno junto à estação dos CTT, em Loriga. Não andou a ver onde andavam os outros, para os criticar. Fiquei a saber, no entanto, que o valor pedido era 6 a 7 vezes superior à casa da Senhora D. Alice de Almeida, recentemente vendida e que a Confraria não poderia suportar esse valor, pois tem poucos associados e a quota dos seus associados é reduzida e até simbólica. No entanto, não afastou a hipótese, tendo estado a estudar formas de se financiar, nomeadamente utilizando fundos da União Europeia adequados ao efeito pretendido.
Acrescento ainda, que muitos dos poucos membros da Confraria da Broa e do Bolo Negro de Loriga, viram com imenso agrado a ideia do amigo e loriguense Carlos Cardoso Amaro, embora não confrade, no sentido de salvar e preservar um dos moinhos de água ainda existentes em Loriga, para que os mesmos não desapareçam.
Este texto mal alinhavado, mas espero que bem entendido, não pretende atacar ninguém, mas esclarecer qualquer dúvida de quem não se informou e condenou logo a Confraria da Broa e do Bolo Negro de Loriga. Julgo que todos devemos procurar nos outros o que nos une e não razões para nos desunirmos por muito diferentes ou especiais que nos achamos.
Da minha parte e na minha insignificância, está tudo dito. Ponto final.
João Carreira