quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Um dia diferente...




Ontem, dia 16 de Fevereiro de 2011, foi um dia diferente na minha vida.
Durante 40 anos estive ligado sentimentalmente à casa dos meus avós maternos, em Loriga. Entrei nessa casa, pela primeira vez com seis meses de idade e com essa idade ali fiquei até aos 10 anos. Estudei e vivi em Loriga durante esse tempo e fui profundamente feliz com os meus avós maternos. Cedo e sem qualquer ensinamento, comecei a tratá-los por pai e mãe e embora ame os meus pais, tive uma enorme sorte de ter tido esses segundos pais, dos quais guardo tudo de bom. Lembranças e ensinamentos que ninguém pode tirar. Devido a uma natural partilha de bens, deixei de ser comproprietário da casa onde cresci. Espero que os meus familiares, que hoje entraram na posse de 50% do imóvel, conservem, tratem e amem a casa como o seu primeiro dono, António Carreira. Eu espero, enquanto fui comproprietário, ter feito o meu melhor na salvaguarda e conservação da memória e do património do meu avô.

O meu adeus a uma casa nunca significará o meu adeus a Loriga ou à Serra da Estrela. Todas as pessoas que mais amei estão sepultadas em Loriga e Loriga é e será sempre a minha terra, mesmo que tenha nascido na Freguesia da Lapa em Lisboa. Portanto, será um até breve ligeiramente mais prolongado.

1 comentário:

  1. Amigo João:

    É o teu primo de viagem que vai dialogar um pouco contigo.

    Sei que efectivamente que existem no tempo datas, que por mais força interior que se adquira, deixam, não sem mácula feridas espalhadas no nosso ego, que muito dificilmente cicatrizarão.

    Acredito e sei e sinto, a angústia, de não poder, do porquê, de outros, dos outros não partilharem esses sentimentos contigo.

    Quão tudo seria simples na resolução de um problema, se se parasse para pensar,se todos no tamanho de uma cancha, pudessem interiorizar sentimentos, de apego, de recordações ou pura e simplemente raízes de respeito familiar pelos que partiram que nada deixaram partido.

    Espero que esta situação recente que te provoca suores frios em todos o teu ser, que te pôe cefaleias doridas na mente e no coração, seja passageira, efémera como são os actos daqueles pensantes cuja memória foi ligeira e que saltaram silênciosos para o esquecimento sem fim.

    João és novo,tens um caminho longo a percorrer e concerteza que algum dos teus sonhos hás-de concretizar.
    Lembra-te sempre:
    " Por morrer uma andorinha não se acaba a Primavera".

    Com um abraço de amizade.Zeca

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